Quem sou eu

Sou psicóloga e mãe de primeira viagem da Catarina. Resolvi escrever esse blog para compartilhar pensamentos e "conhecimentos" dessa experiência desafiadora e maravilhosa.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Mães perfeitas?

Nem preciso mencionar o sucesso de "MINHA MÃE É UMA PEÇA #1 E #2"!!!! Fantásticos, simplesmente amei! Nos traz muitas reflexões sobre o nosso comportamento como mãe e filha, a necessidade de sermos fortes, de assumir a nossa personalidade, os nosso valores, etc, sem mencionar o humor que é excelente!
Recentemente assisti a uma outra comédia "PERFEITA É A MÃE" (super recomendo), e esse filme reflete muito mais o drama da mãe moderna, de forma muito realista, direta, atual e com muito humor também. Não só as crianças dos dias de hoje são diferentes, mas as mães tem muitas novas "obrigações".
Precisamos estar por dentro de todas as substâncias que podem fazer bem ou mal à saúde dos nossos filhos, ler todos os rótulos de tudo que compramos, porque DEUS NOS LIVRE de comprar algo com gordura trans, dextrose, sem vitaminas e etc... Também precisamos monitorar tudo o que nossos filhos comem pois temos que fazer eles comerem de 3/3h, e só coisas saudáveis, porque já viu o olhar de condenação dos outros se dermos um refrigerante aos nossos pequenos? Também precisamos monitorar tudo o que eles assistem na TV, tudo o que fazem no ambiente virtual com os tablets, celulares e computadores, porque se tiverem contato com conteúdo inapropriado... Também precisamos criar filhos conscientes  do meio ambiente, do comportamento social perfeito pois não podem ser mal educados em momento nenhum, de estudarem ao invés de ficarem nos joguinhos, de monitorar o desenvolvimento físico e mental para ser igual ou superior aos coleguinhas da mesma idade cronológica, levá-los a médico periodicamente, e a outros profissionais da saúde para estimulações extra, também é preciso manter atividades extra curriculares como natação, balet, futebol, musica, inglês, espanhol, francês, desenvolvimento textual, etc. E tudo isso sem gritar, sem bater, pois se o seu filho grita ou chora os vizinhos ou as pessoas em volta de você em primeiro lugar irão pensar que você é uma mãe violenta e abusiva (por isso prefiro mil vezes estar rodeada de outras de crianças na mesma faixa etária, só essas entendem do "drama") . Além disso também precisamos trabalhar como profissionais impecáveis, cumprindo extensas cargas horárias sem deixar a desejar ou nos ausentar, e estarmos magras, bonitas, calmas, bem vestidas e agradáveis para agradar aos maridos, que acham que comprar roupa é futilidade nossa, lavar uma louça dentro de casa "é nos ajudar", e não conseguem enxergar que são tão responsáveis quanto nós pela casa, pelos filhos e por tudo mais (nesse ponto não posso me queixar do meu marido, mas vejo que a maioria das minhas conhecidas não compartilham da mesma realidade da minha casa).
Nem preciso dizer que não temos tempo para tudo isso, nem compartilhando com o marido as obrigações, nem trabalhando com carga horária reduzida. Tudo isso acaba tolindo muito do prazer na relação com a família, e muitas de nós estamos exauridas e ficando doentes mental e emocionalmente. Nesse momento é essencial parar e olhar a nossa volta, olhar para dentro de nós mesmas e analisar essas informações.
Acredito muito no conhecimento, e na necessidade de buscarmos ser felizes. Temos tanta informação, e ao invés de simplesmente seguirmos o que todos dizem que devemos fazer, precisamos é nos concentrar naquilo que nós realmente acreditamos ser essencial. Não podemos criar filhos para fazer o que os outros querem que façamos, e depois dizer que eles não podem usar maconha quando os coleguinhas oferecerem. Precisamos criar filhos conscientes do que é importante para eles, e só podemos fazer isso quando nos conscientizamos do que é importante para a gente. Como diz no documentário "O COMEÇO DA VIDA" somos a melhor safra de pais que já existiu pelo acesso à informações, então precisamos usá-las a nosso favor e não permitir que nos tornemos reféns dela!
Quando mais jovens sonhávamos em ter uma família não é mesmo? Que família nós sonhávamos? Nossa família é assim? Porque não é? Ou melhor, o que nos afasta desse ideal que sonhamos? O que podemos fazer, abrir mão, ou modificar em nossas casas e vidas para conseguir nos aproximar daquilo que nos faz feliz? Claro que nunca seremos capazes de controlar tudo para ser totalmente felizes, aliás uma das primeiras coisas que precisamos abandonar é a ilusão ou a necessidade de controlar tudo!
Pessoalmente gosto muito da ideia de simplificar as coisas, e sou adepta do slow parenting e da alimentação natural, o resto aceito que sou limitada e faço o melhor que consigo com o amor que eu tenho. Cada um busca sua verdade, sua necessidade. As pessoas não precisam ser iguais a mim, ou pensar o que eu penso para podermos conviver bem. Precisamos de familia e amigos para nossas vidas serem plenas, e se tiver que ir ao Bobs para levar a Catarina para brincar com os primos ou amigos, claro que irei e sem criticar! Nem sempre as coisas são perfeitas, as vezes me irrito e fico nervosa, as vezes erro feio, quase sempre não tenho o tempo ou a disponibilidade que as pessoas querem de mim, e isso tudo faz parte da vida!