Quem sou eu

Sou psicóloga e mãe de primeira viagem da Catarina. Resolvi escrever esse blog para compartilhar pensamentos e "conhecimentos" dessa experiência desafiadora e maravilhosa.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Amor que não se mede...

Vida de casal sem filhos
Acho que nada melhor para estrear esse blog, do que começar falando do amor... O amor que une as pessoas, que faz o mundo ser visto sob lentes diferentes (acho que mais bonitas...).
O amor romântico, como o que une um casal, me lembro do meu casamento, mas não acho que foi no dia do casamento que meu amor pelo meu marido atingiu o ápice, nem que aquele tenha sido o dia mais importante para nós dois como casal. Foi muito importante sim, mas penso que cada conflito resolvido, cada dificuldade superada, cada diferença sanada nos fez melhores um para o outro. Sinto realmente, que apesar de não sermos tão melosos quanto na época em que nos casamos, nos amamos muito mais que naquele período. Um amor construído e fortalecido pelo dia a dia e por todas as dificuldades. 
O amor maternal, construído desde o momento em que se anseia pela vinda de um bebê. Me lembro quando eu e meu marido decidimos que queríamos um bebê, foi um tempinho até conseguirmos engravidar, frustação quando percebíamos que não tinha sido daquela vez, até que pela graça de Deus, quando menos esperávamos, aconteceu! Ficamos radiantes e nos apegamos a esse bebê desde o momento em que descobrimos que estava no meu ventre! Posso dizer que ele ficou grávido junto à
Nascimento da Catarina
mim, rs. E apesar de todo o relacionamento construído com esse bebê durante a gestação, quando pensávamos que já a amávamos plenamente, foi no momento que ela nasceu, nossa Catarina, no exato momento em que ela viu as luzes do mundo pela primeira vez, e que abriu a boca com aquele choro estridente, que nossos corações foram embriagados com um sentimento tão forte que nunca havíamos experimentado antes. Não consigo mensurar o que meu marido sentiu, mas consigo dizer que o que eu senti foi tão forte, que era como se fosse o amor de toda uma vida explodindo dentro do meu peito de uma vez só, e aquele choro, que antes me incomodaria, me fazia chorar de emoção, felicidade e realização. Sei que daquele exato segundo em diante algo se transformou em nossas vidas, para sempre. Fico feliz que tenha sido assim na minha história, mas sei que não é assim em todos os casos. Como explicar bebês rejeitados? Pais que não conseguem se aproximar afetivamente dos filhos, e mesmo mães que são frias com seus bebês?
Em meus estudos e pesquisas dentro da psicologia, conheci teorias e abordagens a respeito da psique humana que possibilitaram a minha prática clínica, pude ajudar muitos casais, mesmo antes de ser casada, pude ajudar muitas famílias e muitas crianças, mesmo antes de ter sido mãe. Era possível entender quais os sentimentos, emoções e comportamentos envolvidos, e qual o desenvolvimento das dinâmicas, mas eu imaginava que talvez vivenciar tudo isso na própria pele fosse bem diferente, e de fato é.
O amor é um dos temas muito discutidos em toda a história da humanidade. Existem até mesmo correntes de pensamento que tratam o amor como uma forma de sentimento. Mas até hoje, a melhor definição que eu pude encontrar para o amor, e que consegui encaixar em todos os momentos que vivenciei, em tudo que observo ser possível, e também como a melhor forma de saber se há amor e qual a força desse amor foi a seguinte:
"Muitos pensam, erroneamente, que amor é um sentimento. Amor produz sentimentos bons, sim, mas não é um sentimento em si. Se você vê uma pessoa pela primeira vez e sente algo bom por ela, mas depois não aprende a amá-la por quem ela é, aquele 'amor à primeira vista' não permanecerá. Amar não é sentir. Amar é conhecer a outra pessoa, admirar o que você conhece dela e olhar seus defeitos positivamente. Se nos dedicarmos, podemos aprender a amar praticamente qualquer pessoa ou coisa." (Casamento Blindado - Renato Cardoso e Cristiane Cardoso, 2012)
Acredito que seja por isso que o amor não é como a matemática. Não é apenas por ser a mãe biológica que se tem amor pelo bebê. No período em que fui estagiária numa UTI Neonatal, percebi que muitos bebês eram "abandonados" ali por suas famílias, não recebiam qualquer visita, enquanto outros tinham sempre ao lado da incubadora a presença da mãe, e até dos demais familiares (tudo conforme as possibilidades e devidamente acompanhado pela equipe). E o que explicava isso? A relação que era construída com esse bebê desde o momento da concepção! As famílias que recebiam bem a notícia e começavam a construir no imaginário o lugar desse novo membro, ansiavam por sua chegada no lar e assim já iam construindo um relacionamento com esse novo ser humano, na verdade essa família estava aprendendo a amar o bebê mesmo antes de conhece-lo pessoalmente. Entretanto situações familiares onde esses bebês não eram concebidos no imaginário, esse relacionamento não era construído/aprendido antes de sua chegada, não existindo importantes vínculos afetivos que fizessem as pessoas se aproximarem de uma pessoinha que nem conheciam ainda. Daí podemos pensar o que: enquanto uns aprendem a amar com mais facilidade, outros tem algumas dificuldades com esse processo. Não que não sejam capazes de amar, pois são sim, muitas vezes só é necessário um tempo de convivência e adaptação juntos para que o relacionamento se fortaleça.
Entretanto, há algo além no amor, além da admiração, além do aprendizado que transforma como nos sentimos em relação ao outro, ao mundo e nós mesmos. Algo que nos faz ter reações inexplicáveis aos olhos da racionalidade. Esse algo além, acredito que esteja ligado aos sentimentos que o amor é capaz de provocar nas pessoas. Desde o momento em que somos concebidos, a primeira parte do nosso corpo a ser formado é o cérebro, e o primeiro aspecto humano que recebemos ainda no ventre materno é a capacidade de perceber e sentir as emoções (nosso cérebro, por questões evolutivas é cerca de 90% emocional). Desde esse momento aprendemos a nos relacionar através das emoções, e por toda a vida, a cada dia, a cada experiência vivida, esse aprendizado vai crescendo e se consolidando.
Todo esse aprendizado é o que forma o caráter e a personalidade das pessoas, fazendo com que cada ser humano seja único em todas as suas características. Isso determina como reagimos a cada estímulo e a cada situação. É o que explica porque diante de um casamento uns conseguem superar as dificuldades e acertar a dança do casal, fazendo a fusão correta das personalidades e conseguindo tornar-se um, enquanto outros não conseguem, falham, e acabam construindo relacionamentos insatisfatórios. É o que explica a relação que cada um constrói com seus filhos em diferentes momentos da vida, formando a complexidade a que estamos habituados a ver, renovando o ciclo...
 
Minha mãe, Catarina e Eu

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