Quem sou eu

Sou psicóloga e mãe de primeira viagem da Catarina. Resolvi escrever esse blog para compartilhar pensamentos e "conhecimentos" dessa experiência desafiadora e maravilhosa.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Mamãe Stress

Não está fácil ser mãe, esposa e profissional nos dias de hoje. Sinceramente não sei o que é pior: o cansaço com os milhões de coisas que temos que fazer, ou ouvir da vovó que ela "criou mais de um, trabalhava, passeava e não ficava estressadinha como a gente fica" (Mãe não fica brava comigo, te amo, mas ninguém merece ouvir comparações!).
De tanto ouvir isso, comecei a refletir no motivo pelo qual eu ficava tão cansada e nervosa às vezes: "Se minha princesinha é tudo que eu sempre quis, uma criança maravilhosa, mas uma criança, e eu sei muito bem disso. Sei que há limitações e não posso esperar certas atitudes dela. Então porque vivo estressada? Será que é com o marido, sei que ele não é tão organizado quanto eu gostaria que fosse, mas ele até que é bastante, e ainda colabora muito!"
Fiquei com essa busca interna alguns dias, até que comecei a reunir as informações de onde estava vindo minha irritação, e encontrei a seguinte resposta: de tudo aquilo que é o extra! Vou explicar:
No tempo de nossas mães e avós não haviam telefones em todas as casas, e a telefonia era cara. Não existiam celulares, muito menos computadores, tablets, mp3 e internet! Nossas queridas mamães e avós não precisavam checar e-mail, manter um perfil numa rede social (quem dirá 3 ou mais hoje em dia com facebook, linkedin, instagram, pinterest, twitter, etc...). Também não precisavam atender o telefone o dia inteiro com ligações banais, como a da vovó que quer saber como está o bebê, se o bebê almoçou direitinho, se o bebê está mamando, se nós vamos sair de casa, onde vamos e o que vamos fazer, que horas vamos pegar o bebê na creche, etc... Ou do maridão que liga para saber como foi seu almoço, saber que horas vai pegar o baby na creche, se você já arrumou a janta (sendo que você nem conseguiu sair do escritório ainda), etc...
Além desses fatores encontrados, observei um outro grande problema: a TV. Não me levem a mal, não quero criticar o uso desse "equipamento de lazer", até mesmo porque eu sou uma "noveleira" assumida, mesmo quando não gosto da novela acabo assistindo e me interessando... O problema não é assistir TV, mas querer assistir TV por um tempo prolongado e com silêncio em casa! IMPOSSÍVEL!!! Temos mil coisas para fazer... Juntar coisas fora do lugar e colocar nos devidos lugares, arrumar cozinha, juntar o lixo, preparar a comida, colocar roupa para lavar, colocar roupa para secar, guardar a roupa - tudo isso pode parecer banal, mas consome TEMPO e provoca desgaste FÍSICO, afinal vc já passou o dia trabalhando e ainda tem ficar perambulando pela casa fazendo essas coisas. Agora adicione à isso o marido que fica hipnotizado com a TV e não dá atenção para a criança, que fica atrás de vc: às vezes numa boa, às vezes pedindo colo, às vezes fazendo arte... PENDURE um telefone com uma ligação banal interminável e SOME a sua vontade de ver TV e checar seus mails e redes sociais... Mau humor, estresse e irritação - esses são os resultados...
A tecnologia nas comunicações aproximou demais as pessoas, nos oferece confortos que antes não eram possíveis, mas até que ponto isso é benéfico? Precisamos saber equilibrar essas coisas em nossas vidas, para que sejam ferramentas úteis e não fontes de estresse. Para tanto tomei medidas importantes:
#Separei telefone pessoal e profissional e estabeleci quais são os telefones prioritários a serem atendidos - creche e pacientes (afinal a creche só liga se for extremamente necessário). Profissional atendo a qualquer hora, afinal sou psicóloga e um paciente pode precisar de mim a qualquer hora. Já o pessoal atendo quando posso, ou seja: quando estou livre! Se não tiver casa para cuidar, bebê para olhar, trabalho a fazer, marido para dar atenção, daí eu posso atender o telefone. Todos reclamam que eu não atendo o telefone, mas em compensação não reclamam mais do meu mau humor.
#Reduzi o acesso das redes sociais - não tive coragem de eliminar, mas para não ter aborrecimentos me limitei a entrar uma vez por semana, checar recados, dar um olá e até semana que vem. Com isso sobrou tempo para eu fazer uma coisa que vivia me cobrando: LER MAIS.
#Desapegar da TV e incentivar o papai a fazer isso também, colocar que podemos ver TV sim, mas a prioridade é o que nosso bebê precisa - alimentação, higiene e atenção. Assim vemos novela e jornal quando a Catarina deixa.
#Comecei a utilizar meu tempo livre fazendo coisas que me dão prazer, me realizam, e não o que os outros esperam que eu faça. Ao invés de ficar online, passei a fazer o que me dá prazer. No meu caso escolhi a leitura. Desde quando comecei a ter essas atitudes (cerca de 3 meses) já consegui o Ana Karenina de Tolstoi em inglês, O Processo de Franz Kofka, Casamento Blindado (livro excelente!), e essa semana estou escolhendo o próximo livro!
Fica a dica! Analise como usa o seu tempo, e tente equilibrar.
Senão, como teremos tempo e humor para construir momentos como esse?

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